Auto Viação Bangu - A caminho da Fábrica de Tecidos

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A Auto Viação Bangu foi fundada em 28 de junho de 1962. Nessa época ela possuía 12 lotações e era administrada por um consórcio de 10 associados. Sua primeira linha foi a S13, ligando Bangu a Cascadura.

Foto: Reprodução da internet

O recolhimento dos carros era realizado em um galpão na Rua Francisco Real em Bangu e três anos depois foi constituída uma sede na Rua Açurunã e ali passou a guardar os carros.



Ainda em 1965, a Viaçao Redentor passou a operar a linha S12 que ligava os mesmo bairros da S13 operada pela Auto Viação Bangu. Uma reviravolta ocorreu em 1963 com muitas lotações na cidade.

Por determinação do Governo Lacerda, as lotações que circulavam na cidade do Rio deviam ser substituídas por ônibus, fazendo com que as empresas investissem em curto prazo na compra de ônibus, além dessa mudança, ficou determinado também uma quantidade mínima de pelo menos 25 ônibus por empresa. Para isso, a Auto Viação Bangu adquiriu a Auto Viação Camará que operava a linha S18 Marechal Hermes x Senador Camará.

Garagem da Auto Viação Bangu em Magalhães Bastos - Foto: Reprodução da internet

Já com 35 carros a Auto Viação Bangu absorveu a linha 745 junto com os 25 carros da Transportes Princesa em 1968, elevando sua frota aos 60 carros, que era uma nova exigência do governo Lacerda naquela época. As linhas operadas por lotações foram extintas e a Auto Viação Bangu adquire as linhas de ônibus:

744 Cascadura x Jardim Novo
746 Cascadura x Senador Camará
A linha 745 (antiga S12) que era operada pela Redentor passou a ser operada pela Transportes Princesa que após a compra passou a ser operada pela A.V. Bangu. A garagem na Rua Boiobi que pertencia a Transp. Princesa também passou pra A.V. Bangu.




Em 1979, sua frota já era composta por 82 carros e foram criadas as linhas:
739 Capelinha x Bangu
794 Cascadura x Capelinha
795/796 Capelinha x Senador Camará
797 INPS x Sandá
798 Bangu x Jardim Aguá Branca

Ao longo dos anos, algumas linhas foram modificadas e algumas extintas. Com a aquisição da linha 391 Realengo x Tiradentes, a empresa aumentou a frota em mais 40 ônibus. Antes de ser 391, a linha era 269 e ainda operada pela Viação São Ricardo, sofreu alteração. Antes Marechal Hermes x Tiradentes, passou a fazer o trajeto Realengo x Tiradentes.




Em 1982, a A.V. Bangu criou a linha 383 Tiradentes x Realengo e ainda nesse ano, associou-se a Viação Andorinha (14000) e em seguida fundiu-se, mantendo a majoritária A.V. Bangu.

Ainda nesse ano, a empresa deixou as suas cores verde e amarelo e passou a usar as cores vermelho e azul, também inaugurou a sua nova sede em Magalhães Bastos e assim pode guardar os seus carros que já chegavam a 239.


Em 1990, foi criada a linha 790 Campo Grande x Cascadura com duas versões. 790 Campo Grande x Cascadura via Vila Kennedy 790 Campo Grande Cascadura via Vila Aliança.

As linhas eram operadas em pool Transportes Oriental/Auto Viação Bangu e para não haver desigualdade no faturamento e nos gastos ficou resolvido como um acordo que cada uma operasse uma variante por semana, toda segunda feira elas trocavam e assim foi feito.



No mesmo ano, foi criado o projeto "TAIOBÃO", onde os ônibus deveriam ter portas mais largas e uma esteira no corredor do carro entre outras modificaçãoes. O objetivo era facilitar os passageiros que transportavam caixas e bolsas entre outros objetos grandes. Mas esse foi mais um dos projetos de transporte que não foram a frente.



Apenas algumas linhas receberam o projeto e uma delas foi a 790. Outro projeto da prefeitura foi em 1994, uma nova determinação fez com que as empresas mudassem  a fonte do número de ordem, passando a ser em tamanho grande e o nome da empresa dentro de um retângulo chamado crachá para facilitar a visualização dos usuários. Com isso, as empresas deviam mudar a pintura para adequar as regras.



Bonde Taioba - Bonde Caradura

Criado em 1884 com a finalidade de transportar qualquer tipo de bagagem e passageiros de origem humilde, que não tinham condições de usar o bonde comum, tinha como preço a metade da passagem normal, um tostão (cem réis).




Nele, os passageiros podiam viajar descalços e sem colarinho, carregando pacotes, aves, tabuleiros de doces, além das trouxas das lavadeiras. O bonde foi um sucesso popular e motivo de inúmeras histórias e anedotas.

A vida do Rio de Janeiro estava mudando, assim como mudavam seus tipos característicos, que logo desapareceriam para sempre. Os bondes foram desmontados e vendidos como sucata nos anos 1960. O derradeiro bonde a circular foi um Alto da Boa Vista, que fez sua última e solitária viagem em 1967, acompanhado por poucos passageiros. Sob as ruas do Rio atual estão enterrados seus restos: os velhos trilhos por onde deslizavam preguiçosos, festivos e barulhentos.



A origem do nome

Taioba é um vegetal com origem na América Central, apesar de China e Egito a utilizarem como alimento há milhares de anos.





Chegou no Brasil na bagagem dos colonizadores europeus e seu cultivo regionalizou-se em diversas partes do país. No Rio de Janeiro tem seu cultivo predominante na Zona Oeste, antes conhecida como Sertão Carioca.

O Serviço por ônibus - Os Taiobões


A estratégia da SMTU – Superintendência Municipal de Transportes Urbanos era exigir que todas as empresas que atuam nos subúrbios e nas áreas rurais tivessem 20% desse ônibus em suas frotas, cujo objetivo era atender pessoas pobres que precisassem transportar grandes volumes, como lavadeiras, vendedores ambulantes e pequenos agricultores.



Segundo o superintendente da SMTU, Antônio Maia, autor da ideia, o movimento vinha sendo bom (cerca de 850 passageiros por dia), embora nas primeiras semanas muitas pessoas ainda não conheciam o serviço.

O Globo - 1991

Levavam desde galinhas e porcos vivos até sacolas de roupa, bicicletas e até mesmo geladeiras. No caso de algumas mercadorias, o embarque era realizado pela porta dianteira, pois a traseira, como ocorre nos ônibus comuns, tinha uma roleta.

O taiobão circulava das 5h50m às 21h35m, sua tarifa custava CrS 50, preço igual ao das outras linhas que faziam o mesmo trajeto. Os bancos eram paralelos às laterais do ônibus, aumentando o espaço do corredor. O cobrador ficava no fundo do veículo e sobre a caixa do dinheiro havia uma espécie de esteira, que facilita a passagem dos volumes. A porta de entrada media 91 centímetros de largura, 11 a mais que a dos ônibus comuns. Segundo o gerente de tráfego da Auto Viação Bangu na época, Natan Pereira, a adaptação custou CrS 1,5 milhão.



O cobrador Gehu Itamar da Silva Araújo, reclamou da localização de sua cadeira e da roleta. Gehu disse que certamente se machucaria, se outro veículo batesse na traseira do ônibus e acrescentou: "Dá para explicar por que colocam uma roleta estreita em um ônibus de carga ?" Como só há um ônibus desse tipo circulando, a espera é grande: as saídas têm intervalos de três horas.

De acordo como superintendente da SMTU, os fabricantes de ônibus estavam fazendo estudos para chegar ao melhor projeto do taiobão. 


Após 20 dias de operação na 790, duas novas linhas foram criadas:

932 Vila Cruzeiro x Hospital Universitário
370 Padre Miguel x Estácio
Cada linha recebeu dois taiobões.



Linhas que receberam o serviço:

370 Padre Miguel x Estácio (Transportes Campo Grande)
701 Madureira x Alvorada (Viação Redentor)
739 Capelinha x Bangu (Auto Viação Bangu)
741 Barata x Bangu via Murundu (Auto Viação Bangu)
749 Cascadura x Recreio (Transporte Oriental)
790 Cascadura x Campo Grande (Auto Viação Bangu)
794 Cascadura x Bangu (Auto Viação Bangu)
812 Bangu x Guandu (Transporte Oriental)
817 Campo Grande x Fazenda Botafogo (Transporte Oriental)
833 Campo Grande x Conjunto Manguariba (Viação Santa Sofia)
847 Campo Grande x Rio da Prata (Viação Santa Sofia)
848 Campo Grande x Bairro Arnaldo Eugênio (Viação Santa Sofia)


850 Campo Grande x Mendanha (Auto Viação Jabour)
852 Campo Grande x Pedra de Guaratiba (Auto Viação Jabour)
860 Santa Cruz x Pedra de Guaratiba (Viação Santa Sofia)
861 Reta do Rio Grande x Curral Falso (Viação Santa Sofia)
862 Reta do Rio Grande x Urucânia (Viação Santa Sofia)
863 Santa Cruz x Conjunto Cesarão (Viação Santa Sofia)
869 Campo Grande x Ilha de Guaratiba (Auto Viação Jabour)
885 Santa Cruz x Conjunto Cesarão (Viação Santa Sofia)
886 São Fernando x Jesuítas via Avenida João XXIII (Viação Santa Sofia)
890 Avenida João XXIII x Rua Senador Camará (Viação Santa Sofia)
892 Santa Cruz x São Benedito (Viação Santa Sofia)
898 Pedra de Guaratiba x Barra de Guaratiba (Auto Viação Jabour)
923 Bangu x Parada de Lucas (Transportes Campo Grande)

932 Vila Cruzeiro x Hospital Universitário (Transportes Campo Grande)



Em 1993, com a inauguração do Terminal Rodoviário de Deodoro, a A.V. Bangu passou a operar novas linhas que não deram certo devido a baixa demanda, porem a prefeitura determinou que fossem operadas até o fim do contrato.  São elas 715, 716, 717 e 719.


Visando a melhor qualidade dos serviços, a A.V. Bangu dcidiu se dividir em 1995, ano em que ela adquiriu um grande lote de Marcopolo Torino LN, surgiu então a Viação Andorinha, agora com o número de ordem 59000, que coincide com o que já pertenceu a Viação Camará, absorvida pela A. V. Bangu em 1963.



Ainda com a cisão, elas dividiram as linhas e as garagens, ficando a Bangu com a garagem de Magalhães Bastos e a Andorinha com a garagem da Rua Boiobi que pertenceu a Transportes Princesa.



Em relação as linhas, a divisão foi da seguinte forma:

Auto Viação Bangu

383 Realengo x Tiradentes
715 Deodoro x Jardim Novo
716 Deodoro x Barata
717 Deodoro x Murundu
725 Cascadura x Ricardo de Albuquerque
739 Bangu x Sulacap
741 Barata x Bangu
742 Barata x Cascadura
743 Barata x Bangu
744 Jardim Novo x Cascadura
777 Padre Miguel x Madureira
794 Bangu x Cascadura





Viação Andorinha

391 Padre Miguel x Tiradentes
719 Deodoro x Jardim Violeta
745 Cascadura x Bangu
746 Cascadura x Senador Camará
790 Cascadura x Campo Grande
797 Bangu x Sandá
798 Bangu x Jardim Água Branca
799 Jardim Violeta x Magalhães Bastos
800 Marechal Hermes x Santíssimo
960 Senador Camará x Penha




Com o surgimento de um novo modelo de transportes, o chamado "Alternativo" e irregular, a empresa passou por muitos anos de dificuldade, nessa época a empresa era controlada e administrada pelo Grupo Guanabara e devido a grande queda de lucros da empresa no fim dos anos 90, a empresa não conseguiu recuperar os rendimentos esperados e acabou sendo vendida  em 2007 sendo administrada por sócios de diversos setores, além de empresas de ônibus, haviam sócios que atuavam no ramo de distribuição de bebidas e da Concessionária Volkswagem, o que justifica a grande quantidade de ônibus com esse chassi.





Com a nova organização e administração, foi mudado o layout e a empresa recebeu mais de 100 ônibus novos. O layout trazia a história do nome da empresa e ficava marcada a nova fase da empresa com as cores fortes que se destacaram no setor.

O projeto da BANGU foi elaborado no contexto de mudança na direção da empresa. Foram utilizadas cores vibrantes para facilitar a identificação dos carros nos corredores em que a empresa opera. A idéia foi criar uma marca forte e claramente associada ao bairro que dá nome à empresa.



Bangu é um bairro que surgiu ao redor da fábrica de tecidos. O símbolo projetado consiste em um “B” minúsculo formado por 26 círculos, dispostos de maneira a formar um desenho que simboliza um rolo de tecido.


Os círculos em si representam chumaços de algodão. Procurou-se, ainda, facilitar a manutenção e minimizar o tempo de permanência do veículo em oficina, com uma pintura prática e de fácil execução, sem abrir mão da visibilidade e segurança.

Com o fechamento das empresas Oriental e Ocidental em 2008, a A.V. Bangu assumiu as linhas e assim aumentou a sua área de atuação e voltou a operar linhas próprias que foram desativadas na antiga administração, sendo elas 725, 739, 742 e 743. A empresa comprou também a linha 367 Realengo x Praça XV que pertencia à Feital e havia sido vendida para a Transportes Campo Grande.




As linhas 725 e 742 que estavam inativas por muito tempo, quando reativadas enfrentavam grandes dificildades em reconquistar seus clientes e devido a baixa demanada tiveram suas frotas reduzidas e o tempo de espera fez com que os usuários migrassem novamente para a concorrência.

Ainda em crescimento operacional, a empresa participou na operação de linhas alimentadoras do corredor BRT Transoeste, a mesma operou a linha 870 após o fechamento da Viação Algarve.




A A.V. Bangu chegou a utilizar veículos no corredor no trecho Campo Grande x Santa Cruz. Mas esse modal de transportes não é lucrativo e essa diferente e nova fase acabou não sendo satisfatória para empresa. Na operação de BRT's as empresas recebem por quilômetro percorrido e não por passageiros transportados.

Com a Padronização de frota da cidade a empresa deixa de utilizar o seu layout, e com o controle de suas linhas pela prefeitura na quantidade, a empresa passou a sofrer com varias no setor, e tentou por varias formas se levantar e não havendo sucesso via seu faturamento cair mais e mais. Haviam rumores de que a empresa faria parte do Grupo Redentor, mas o que realmente ocorreu foi a venda das suas linhas e da operação.




Antes de se concluir a negociação, os funcionários da empresa fizeram diversas greves e algumas linhas chegaram a ser operadas em caráter emergencial pela Transportes Barra que meses depois, absorveu além das linhas da A.V. Viação Bangu, a sua garagem em Magalhães Bastos e o reboque. A Auto Viação Bangu encerrou as atividades em 12 de maio de 2016.

Antes do fechamento, a A.V. Bangu possuía as linhas:

367 Realengo x Praça XV
364 Jardim Bangu x Tiradentes
365 Mendanha x Tiradentes
379 Catiri x Tiradentes
383 Bangu x Realengo


389 Vila Aliança x Carioca
394 Vila Kennedy x Tiradentes
395 Coqueiros x Tiradentes
739 Bangu x Sulacap
741 Barata x Bangu
742 Padre Miguel x Cascadura
743 Barata x Bangu
744 Realengo x Cascadura
777 Madureira x Padre Miguel
794 Bangu x Cascadura
801 Bangu x Merk
803 Merk x Senador Camará
870 Bangu x Sepetiba
936 Campo Grande x Cidade Universitária
BRT Campo Grande x Santa Cruz x Mato Alto



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