Rotas Fluminenses: Extensão de Guapimirim

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Guapimirim localiza-se na Serra Verde Imperial, a cerca de 60 km da capital. Para chegar ao município, pode-se utilizar o trem na Central do Brasil a partir do Ramal Saracuruna (em seguida o Guapimirim) ou de ônibus, sendo o da linha 2195C, por exemplo, sai do Terminal Menezes Côrtes, ou o 196C, que sai do Terminal Américo Fontenelle no Centro do Rio.



A ferrovia que ligava Magé a Teresópolis foi concluída em 1908, partindo do Porto da Piedade, nos fundos da Baía da Guanabara e chegando ao Alto de Teresópolis. Depois de diversas inaugurações parciais de trechos a partir da Piedade desde 1896, em 1919 a ferrovia foi encampada pela E. F. Central do Brasil, que prolongou a linha até a Várzea de Teresópolis.




Já antes de 1940, porém, o trecho entre Porto da Piedade e Magé foi suprimido, e os trens para Teresópolis, operados pela Central do Brasil, passaram a sair da estação de Barão de Mauá e seguindo pela linha da Leopoldina até Magé, daí entravam pela linha original.

Em 9 de março de 1957, a linha foi entregue à Leopoldina, que imediatamente suprimiu o trecho Guapimirim-Teresópolis. Hoje, a cidade do Rio de Janeiro é ligada a Guapimirim pelo Ramal Guapimirim, onde a transferência dos trens elétricos para os trens a diesel é feita na Estação Saracuruna. Esse ramal é operado desde 2011 pela SuperVia.



A estação de Guapimirim foi aberta em 1896 no primeiro trecho da Estrada de Ferro Teresópolis e teve diversos nomes, como Raiz da Serra, Guapi, Bananal, Guararema e a última delas, estação Alcindo Guanabara, foi em homenagem ao filho de Guapimirim, jornalista, político e membro fundador da Academia Brasileira de Letras.




Um relato do ano de 1929 dizia que Alcindo, que pretendia chegar a Teresópolis, iniciou sua viagem na Estação Barão de Mauá, nos velhos trens de madeira puxados por máquinas a vapor, até Magé, de onde seguia para Guapimirim. Até 1901 era a estação terminal, e mesmo depois disso; nesse ano se iniciaram as obras para o trecho mais difícil, o da serra.


Composição chegando na estação de Guapimirim - Foto: Guilherme Antunes Salles
A região se desenvolveu por causa do trem; é notório que nos anos 1950, a maior parte da população do local eram ferroviários da Central do Brasil e lavradores. Aliás, fato curioso: apesar de sair da estação de Barão de Mauá e transitar pela linha da Leopoldina até Magé, onde saía para Guapimirim, a linha era manejada pela Central desde 1919.



Com a supressão do trecho entre Guapimirim e Teresópolis em 1957, Guapimirim voltou a ser estação terminal, o que permanece até hoje. Trens da antiga Flumitrens, batizada de Central, e que hoje são operados pela SuperVia chegam até a estação, num transporte precário e com péssimas acomodações. Mas chega, o que é uma raridade no Brasil ferroviário atual. Desde 1990, Guapimirim, então um distrito de Magé, passou a ser município.




O Ramal Guapimirim receberia no trecho entre as estações Saracuruna e Magé os carros do Veículo Leve Sob Trilhos (VLT) da cidade de Macaé, adquiridos pelo Governo do Estado em 2012 e que entrariam em circulação para as Olimpíadas Rio 2016.

A SuperVia chegou a entregar no dia 04 de Abril de 2014 a Estação Magé totalmente reformada e reformaria outras 2 das 13 em operação naquele ano, a Estação Suruí e Estação Guapimirim. Conforme era esperado, apenas as outras duas estações ficaram sem reforma e o ramal sem o VLT.



A chances do trem ser um novo atrativo para os turistas e moradores ficou comprovada depois que o fluxo de passageiros na estação Magé dobrou consideravelmente depois de sua reforma, passando de 7 mil para 33,6 mil em apenas 2 meses.

Parte desse aumento se deu também a realizações de viagens extras em período experimental entre as estações Magé e Saracuruna, dobrando diariamente o número de viagens de 8 para 16. A nova estrutura e identidade visual se tornou convidativa, mas a precariedade na grade de horários e nos vagões dos trens ainda é um problema que gera reclamações contantes por parte dos usuários.


Parada Jardim Guapimirim (antiga Parada Capim) - Foto: Reprodução da internet
As condições do Ramal ainda são as piores do estado, e a falta de manutenção na limpeza das estações e dos vagões são reclamações constantes dos usuários. Na penumbra proporcionada pela falta de iluminação, pessoas se drogam. Quando o trem pára, os passageiros encontram estações depredadas. Às vezes, presenciam assaltos e assassinatos.





Servida por um trens de três vagões, desde 2011 a linha pertence à SuperVia, que, em 1998, venceu licitação do governo do Estado do Rio para explorar 220 quilômetros de vias férreas. Nos últimos anos, a SuperVia preferiu não cobrar passagem a investir no trajeto, um dos únicos ramais a diesel dos seis que arrematou por R$ 279,657 milhões (os outros são movidos a eletricidade)

Mas a linha se transformou no "patinho feio" das ferrovias do Estado, junto com o a Extensão de Vila Inhomirim, ambas servidas por composições da década de 60.



Os oito ramais metropolitanos do Rio transportam cerca de 320 mil passageiros por dia. No escuro No trajeto Saracuruna-Guapimirim, os trens circulam a intervalos que variam entre 3 e 6 horas.

Saídas de Saracuruna:
Dias Úteis: 05:50 / 09:15 / 14:20 / 18:50
Sábados: 06:32 / 10:05 / 14:32 / 20:15
Domingos: 08:46 / 14:06 / 20:10

Saídas de Guapimirim:
Dias Úteis: 04:10 / 07:30 / 11:00 / 16:40
Sábados: 04:16 / 08:16 / 11:45 / 16:46
Domingos: 05:30 / 10:50 / 16:50

Os trans param em quinze estações, todas depredadas. O ramal não possui segurança e torna-se especialmente perigoso durante a noite, por causa da falta de iluminação. 



Pelo ramal de Guapimirim, passam diariamente cerca de 5.000 pessoas. Passageiros reclamam de que algumas estações foram suprimidas do trajeto. São elas: Bongaba, Parada Mauá, Parada EMAQ e Maringá, todas localizadas no município de Magé.




Operado com trens a diesel e em bitola estreita a partir da estação Saracuruna (município de Duque de Caxias), o ramal de Guapimirim destoa da renovação promovida pelo governo estadual e a concessionária SuperVia na malha ferroviária da metrópole do Rio. 


Plataforma de embarque do Ramal de Saracuruna na estação Dom Pedro II. - Foto: Reprodução da internet
Atualemte considerado "Extensão de Guapimirim", trata-se da continuação do Ramal de Saracuruna, este operado com trens elétricos, equipados com ar condicionado e em vias de bitola larga. São 36km de trajeto entre Central do Brasil e Saracuruna, com 20 estações.. Para seguir viagem, o usuário troca de plataforma e de sistema, embarcando no trem a diesel após longo tempo de espera.



No caminho, trilhos sem isolamento para casas e ruas paralelas; passagens em nível (cruzamentos ferrovias-rodovias sem muros ou viadutos) oficiais e clandestinas; estações sem catracas; e plataformas irregulares e desniveladas com as portas dos trens põem em risco a vida de passageiros, pedestres e motoristas. Além disso, dão trabalho ao segurança que se reveza na composição.




Também é tarefa dele soprar um apito. É o aviso ao maquinista que as portas podem ser fechadas após embarques e desembarques nas estações. A viagem já pode prosseguir – ainda que, tecnicamente, seja possível prosseguir mesmo com as portas abertas. Devido à pouca oferta de trens e horários a população, com o Bilhete Único, prefere ir de ônibus, que oferece mais conforto e frequência.


Linha 196C Guapimirim x Central na entrada do bairro Praia de Mauá no município de Magé. A linha serve a mesma região que a ferrovia, sendo uma opção DIRETA de transporte aos que não podem ou não querem depender ods restritos horários da Supervia. Embora seja semelhante seu itinerário, a linha não atende algumas localidades rurais por onde o trem passa. Outra questão é a tarifa. O trecho entre Saracuruna e Guapimirim é gretuito, sendo assim, os usuários gastam menos ao viajar de trem.

Segundo a Secretaria de estado de Transportes do Rio de Janeiro (Setrans), os ramais de Vila Inhomirim e Guapimirim têm baixa demanda e sua estrutura comporta o volume de passageiros transportados. Uma das recentes melhorias foi a conclusão das obras de reforma da estação Magé em abril de 2013.




A estação recebeu nova comunicação visual, piso tátil, cobertura na plataforma, banheiros adaptados, rampa de acesso, revitalização da área interna, bilheterias e catracas. No ramal Vila Inhomirim, o mesmo cuidado receberam as estações Fragoso e o terminal Vila Inhomirim.



As intervenções no entorno da linha do trem são fundamentais no processo de modernização do transporte nos municípios da Baixada. Além das obras diretamente relacionadas à via férrea e às estações. 

A Prefeitura de Guapimirim declara que o projeto de requalificação da região central da cidade, juntamente com a estação de trem, já está pronto e foi realizado pelo Vicente de Paula Loureiro, subsecretário de urbanismo do estado. A Prefeitura afirma atuar em parceria com o governo estadual na revitalização de sua malha ferroviária.


Ao atravessar uma passagem de nível em Saracuruna, O ônibus da Transturismo Rei que seguia para o Cangulo se envolvem num acidente com um trem da SuperVia - Foto: Guilherme Pinto
Os ramais de Guapimirim e Vila Inhomirim, a partir de Saracuruna não estão isolados do trânsito do entorno. A Prefeitura de Guapimirim considera “fatalidades isoladas” os acidentes, assinalando que “toda a sinalização prevista em âmbito federal é respeitada: buzina do trem, semáforo, campainha de passagem de nível e placas de sinalização”. Já a Supervia afirma que “o respeito é a melhor forma de evitar acidentes” ao longo dos 270km de linha férrea.


Segundo informações preliminares, o ônibus não teria respeitado a sinalização e teria acessado a linha férrea. A circulação chegou a ser interrompida no ramal. Os feridos foram levados para um hospital da região. - Foto: Allan Sturms/Zimel

A concessionária também considera indispensável o isolamento completo da área restrita à circulação dos trens e apoia o projeto “Segurança na Via”, do governo do estado. O objetivo é realizar a segregação total da linha férrea com a construção de muros, passarelas e viadutos. A implantação dessa iniciativa depende do poder público, pois envolve soluções urbanísticas de acessibilidade, desapropriações e programas sociais.


Colisão entre um trem e um ônibus na passagem de nível da Rua Ita em Guapimirim. De acordo com a Supervia, o veículo não respeitou os sinais sonoros e visuais da passagem em nível oficial.. - Foto: Reproduçãoda internet




Estações e localidades atendidas pela Extensão de Guapimirim

Originais da E.F. Leopoldina

Km 34,021 - Saracuruna
Km 39,000 - Parque Estrela
Km 42,000 - Bongaba
Km 44,000 - Parada Mauá
KM 44,984 - Santa Dalila
Km 47,819 - Suruí
Km 51,730 - Santa Guilhermina
Km 53,640 - Parada EMAQ
Km 54,954 - Parada Iriri
Km 57,570 - Magé





Originais da E.F. Teresópolis

Km 2,596 - Parada Nova Marília
Km 4,980 - Parada Nova Maringá
Km 6,037 - Parada Jororó
Km 7,633 - Parada Citrolândia
Km 9,572 - Parada Ideal
Km 12,000 - Parada Jardim Guapimirim
Km 13,843 - Parada Modelo
Km 14,867 - Parada Bananal
Km 16,726 - Guapimirim





✅ Saracuruna | Duque de Caxias

"Saracuruna" é um termo de origem tupi que significa "saracura preta", através da junção dos termos sara'kura (saracura) e una (preto).



Estação de Saracuruna e o trem da CENTRAL Logística esperando para partir no rumo a Guapimirim - Foto: Diego Barbosa

O bairro começou a ser ocupado por volta de 1947 quando os irmãos Jayme e Joseph Fichman, compraram a Fazenda Rosário (que havia tido enormes plantações de laranjas) de Francisco Vieira Neto e passaram a vender lotes. Porém já existia no local uma estação de trem,que foi fundada em 24 de abril de 1888.




✅ Parque Estrela | Magé

O Parque Estrela, um bairro de Magé que faz parte do 6º distrito (Vila Inhomirim), localizado no Km 8,5 da Rio-Magé. Bairro com poucos habitantes, pouco comércio, pouca estrutura, poucas oportunidades, pouco tudo, quase nada. Porém, por esse bairro, no século XVIII, passou muito do ouro ‘saqueado’ por Portugal vindo de Minas Gerais.




O porto de Estrela arruinou-se e foi abandonado depois da inauguração da Estrada de Ferro Mauá. Em 1855, uma epidemia de cólera assolou o lugar. No entanto, ainda em 1857 partiam diariamente para o Rio de Janeiro 16 barcos, transportando produtos da lavoura. Estrela era, então, um município, cuja decadência se acentuou em 1872.

Inaugurada em 18 de Abril de 1960, a Parada Meia-Noite recebeu esse nome graças à última composição do dia que partia da estação de Saracuruna e chegava na parada à meia-noite. Ao longo dos anos e com a variação de horários, a parada recebeu também o nome de Parada Estrela, menção ao nome do bairro Parque Estrela. Por final, após assumir a concessão do Ramal Guapimirim, a SuperVia manteve o nome da estação relacionado ao bairro de sua localização: Parque Estrela.





Bongaba | Magé

Bongaba é um bairro praticamente rural às margens do Rio Bonga.

A história do bairro começa lá em 1696 quando a Igreja de Nossa Senhora da Piedade do Inhomirim é construída. Tempos depois, lá por volta dos anos de 1850, Irineu Evangelista de Souza (Barão de Mauá) inaugurava a primeira estrada de ferro do Brasil que ligava o porto de Mauá até Petrópolis.



A Ferrovia passava por Bongaba e no bairro possuía uma parada. Durante muitos anos a estação ficou ativa até que o progresso chegou e vários trechos da primeira ferrovia do Brasil foram desativados, incluindo a estação de Bongaba, com isso, esse que poderia ser mais um ponto histórico foi esquecido, largado e depredado com o tempo.


Ferrovia passando pela Zona Rural de Bongaba / Magé - Foto: Reprodução da internet

Foi operada pela FlumiTrens até 23 de Maio de 2001, quando a SuperVia privatizou a companhia e a Central assumiu o Ramal de Guapimirim, que desativou a estação. Desde então a estação encontra-se abandonada e sem nenhum tipo de cuidado.




⛔ Parada Mauá | Magé


A ocupação da orla da Baía de Guanabara no município de Magé iniciou-se com as primeiras sesmarias que datam ainda no século XVI. Já em meados do século XVII foram construídas as primeiras igrejas-matrizes das freguesias de Magé, Suruí e Guia de Pacobaíba (Mauá).


Estrada Nova de Mauá próximo à passagem de nível. - Foto: Reprodução da internet

No século XVIII elas foram reconstruídas, assim como suas capelas filiais, em torno dos quais se agruparam arruamentos. Posteriormente, a abertura da primeira estrada de ferro veio conferir novamente animação urbana na orla da baía, preservando sua função de elo entre a cidade do Rio de Janeiro e a região serrana.


Estrada Nova de Mauá, passagem de nível sobre o ramal de Guapimirim em Magé - Foto: Leonardo S. Oliveira


✅ Santa Dalila | Magé

A parada Santa Dalila foi inaugurada no dia 02 de Dezembro de 1926, e assim como a Parada Santa Guilhermina, foi uma cortesia aos grandes fazendeiros da região do Distrito de Suruí, que possuíam gados e enormes plantações de laranja, banana e aipim.



Parada Santa Dalila - Foto: Allan Trocatti

A parada, que além de dar acesso aos casarões das fazendas, também era responsável pelo distribuição e abastecimento dessa produção para toda região de Magé e da cidade do Rio de Janeiro.




Foi operada pela Central e em 2011 ao ser assumida pela SuperVia, foi desativada como parte do Contrato de Concessão entre à empresa e à Secretaria de Transportes do Estado.



Passagem de nível de Santa Dalila. No local, ferrovia e rodovia seguem em paralelo. - Foto: Victor Sousa

Devido ao enorme números de protestos feito por moradores entre 30 de Junho e 03 de Julho de 2018 na altura de Santa Dalila e Barão de Iriri, pedindo a reabertura das paradas, as estações passaram por uma reforma de ampliação da plataforma e foram reabertas no dia 17 de Setembro do mesmo ano.


✅ Suruí | Magé

Nos séculos XVI e XVII, vários sesmeiros receberam terras, ou sesmarias, dentro dos limites de Suruhy; porém a sesmaria de maior importância foi a de Nicolau Baldim, 1500 braças no Rio Suruhy em 22 de outubro de 1614. 
A Freguesia de Suruí foi criada antes do ano de 1647.


Vista aérea de Suruí - Foto: Reprodução da internet

O núcleo urbano de Suruí se localiza às margens do rio de mesmo nome. Resguardado a Norte e Nordeste por elevações, mantém preservadas suas coberturas vegetais e abre-se para uma grande planície ao Sul, em direção ao litoral, numa paisagem de arbustos e vegetação rasteira.


BR-116 Rodovia Santos Dumont | Entrada de Suruí, 4º distrito de Magé

No alto de uma pequena elevação que sobe abruptamente bem no centro do núcleo está implantada a Igreja de São Nicolau de Suruí, construída em 1710, voltada para o casario que se desenvolveu próximo ao rio, em meados do século XVIII, em função do porto de embarque dos produtos cultivados no interior da Freguesia.



Passagem de nível de Suruí - Magé - Foto: Reprodução da internet

O distrito de Suruí foi criado por meio de um Alvará de 1755, que também criou o distrito de Guapimirim (hoje município emancipado no ano de 1990). O termo Suruí é de origem tupi-guarani e significa “rio do sururu”.





No ano de 1926, Suruí recebia os trilhos da Estrada de Ferro Leopoldina. Além da estação, o distrito recebeu uma usina para a britagem e classificação pedra para lastreamento de via.


Cruzamento do ramal de seerviço da Usina com a Rodovia Rio-TeresópolisO desvio fica há 2km da estação Suruí no sentido em nível Magé - Foto: Guilherme Pinho

Ao lado da plataforma da estação, há uma plataforminha menor, construída para a comunicação com a locomotiva do trem cargueiro que seguia em direção à pedreira. A travessia em nível foi construída justamente no trecho mais perigoso da estrada, fora da serra.



A pedreira ainda funciona, mas não há o tráfego de trens a ela e há muitos anos e os trilhos estão se degradando no local. A pedreira aberta nos anos 1950 pela Leopoldina, posuía  capacidade de usinagem de 40 m3/hora realizava a britagem e classificação de pedra para lastreamento de via.



✅ Santa Guilhermina | Magé

A fazenda Santa Guilhermina está situada na BR 493, próximo ao trevo da BR 116. A casa grande consiste numa edificação rural de meados do século XIX, de um pavimento, circundada por longo alpendre, elemento característico das edificações rurais fluminenses.





A construção de produção segue as mesmas características de residência, com menos cuidados arquitetônicos, encerrando entre si uma área onde se desenvolvem os trabalhos da fazenda.


O trem da Supervia passando pela parada de Santa Guilhermina. - Foto: Luis Felipe Lopes Dias

A propriedade compreende os antigos imóveis da fazenda Olaria e do sítio do Buraco, confrontando-se com a fazenda do Caju, do Cel. Sérgio José do Amaral, e a fazenda dos religiosos do Carmo, num total de 4.506.214 m², nela sendo encontradas, além da casa grande, dez casas de colonos, bananeiras e certa variedade de árvores frutíferas, inclusive instalações para reprodução e criação de gado vacum.


O trem passando pela parada de Santa Guilhermina nos anos 1960. - Foto: Acervo Hugo Caramuru

A fazenda se destacava na criação de gado e produção de leite, manteiga e derivados, suficientemente bem para o abastecimento da região. Desde 06 de fevereiro de 1958 a fazenda pertenceu ao carioca Antonio Gebara, filho de Emílio Wadith Gebara e Edith Maksoud Gebara, que promoveu o loteamento da área, dando origem ao bairro do Parque Bonneville. Antonio Gebara é ainda o responsável pelos loteamentos Parada Ideal (Guapimirim), Citrolândia e Parque Imperador, ambos no 1.º distrito de Magé.




⛔ Parada EMAQ | Magé


Estaleiro naval fundado em 1944, no Rio de Janeiro (RJ), e desde 1966 instalado na Ilha do Governador, a Emaq - Engenharia Máquina SA participou ativamente do Programa de Construção Naval do governo federal, que na década de 70 elevou o Brasil à posição de segundo maior construtor mundial de embarcações, atrás apenas do Japão.


A parada EMAQ ficava junto à fábrica da EMAQ Industrial, que fabricou locomotivas durante os anos 1970.
Foto Diego Barbosa

A partir de 1974, tentando se proteger da já previsível instabilidade do setor, a empresa procurou diversificar a atuação, construindo nova unidade industrial em Magé (RJ) e firmando contratos de transferência de tecnologia para a fabricação de locomotivas diesel-elétricas MLW-Alco (de origem canadense) e guindastes sobre pneus.

Na década de 1980, a indústria naval brasileira entrava em recessão; dois anos depois a crise já se encontrava profundamente instalada na Emaq. Em meio a atrasos de pagamento e ameaça de greve dos trabalhadores, a empresa buscava soluções, quer através da associação com grupos mais fortes, quer pelo ingresso na indústria bélica (falava-se na fabricação de carros de combate e veículos de combate a incêndio em aeroportos – modelo, aliás, seguido pela Verolme).


EMAQ, as MX-620: Uma locomotiva que foi construída usando componentes do Canadá, outros da Espanha, mas sua finalização e operação em trens de carga foi aqui no Brasil.
No entanto, também as verbas das Forças Armadas vinham minguando aceleradamente, inviabilizando o desenvolvimento e encomenda de novos equipamentos. Ainda em 1986 a Emaq apresentou pedido de falência; a fábrica de Magé foi paralisada e a produção de equipamentos definitivamente suspensa; dezenas de locomotivas, já vendidas, não foram concluídas.




No início do governo Collor, os estaleiros Emaq e Verolme foram comprados pelo polêmico investidor Nelson Tanure (conhecido pela prática de adquirir empresas em dificuldade a preços baixos e revendê-las com lucro, sem recuperá-las); em 1994 foram ambas fundidas com o estaleiro Ishikawajima.


Após anos com seus glpões abandonados, no anos de 1988foi instalada no local uma unidade de tratamento de resíduos tóxicos, às margens da Rodovia Rio-Teresópolis.

Com a débacle do setor naval brasileiro, as instalações da Emaq na Ilha do Governador foram desativadas, ficando ociosas até 1995, quando foram arrendadas à Eisa – Estaleiros Ilha S.A., que as utilizam até hoje.

A Parada Fábrica é uma pequena parada entre Iriri e Santa Guilhermina. Em alguns mapas ela aparecia sinalizada como Parada EMAQ. Com o fechamento da fábrica gradualmente os mapas começaram a apresentar o nome Parada Fábrica no lugar de Parada EMAQ. Atualmente o trem da extensão de Guapimirim já não faz mais parada no local.




✅ Iriri | Magé

Iriri é uma antiga localidade da Freguesia de Magé, condição em que permanece até hoje vinculada ao município que herdou o nome da Freguesia. Em Magé foi fundado o primeiro engenho da Cidade do Rio de Janeiro e seu termo, já por volta de 1566, por ordem do governador Cristóvão de Barros, localizado no rio Magé, com légua e meia de largura.



Parada Iriri - Foto: Reprodução da internet
Depois daquele, outros engenhos se localizaram na mesma Freguesia, como o de Magé Mirim, de Atílio Gago da Câmara; o engenho Escurial no rio Casserebu, o Nossa Senhora da Piedade de Magé, pertencente a João de Antas e o Engenho Nossa Senhora do Carmo do Leitão de “Fulano” Leitão no rio Passacavalos. Pelo menos outros três engenhos inominados na mesma Freguesia.

No século XVIII cresceria seu número, fazendo dela uma das mais produtivas Freguesias do Recôncavo da Guanabara. Ao lado dos engenhos, os seus satélites, chamados “Partidos” também proliferaram, assim como os “Sítios”, as “Fazendas” e umas poucas chácaras urbanas.




Em Iriri já existia um engenho em 1650, pertencente a André Tavares, que trocou terras com os frades do Convento do Carmo. O engenho se chamava Santo André, possivelmente em homenagem ao seu fundador. Foram também diversos os partidos associados, assim como os sítios, em especial no século seguinte, sobretudo produzindo farinha e banana para o abastecimento da cidade do Rio de Janeiro.



O rio Iriri possui curso independente, e mesmo localizado no atual município de Magé, não se vincula à bacia do rio principal, que deu nome à Freguesia, vila e depois cidade. O rio Iriri, nascida na mesma serra (do Mar, ou dos Órgãos) ou dos outeiros que lhe dão o nome, permite apenas navegação do porto chamado Capitão Mor, pouco distante de sua foz, por serem diminutas as águas recebidas de outros rios e pequenos regatos.


✅ Magé


O atual município tem origem no povoado de Magepemirim, fundado em 1566 por colonos portugueses. Possuía um dos principais portos da região, onde muitos navios negreiros descarregavam os escravos.

Antigo cais de desembarque. O local ficou famoso pelas visitas ilustres que por lá passaram, sendo ponto final da antiga linha ferroviária para Teresópolis, chamada Estrada de Ferro Teresópolis e construída sob inspiração de Augusto Vieira. Ainda permanecem as ruínas, tanto o molhe, como o armazém-geral. - Foto: IBGE Cidades
O Porto da Piedade foi um dos mais importantes e movimentados Portos do Brasil-Colônia, cujo movimento se dava pela chegada das riquezas do Estado de Minhas Gerais e pelo intenso embarque e desembarque de passageiros da primeira estrada de ferro do Brasil, que também ficava às margens da Praia da Piedade e fazendo ligação ao Porto.

Em 1696, foi criada a freguesia de Magé. Em 1789, Magé foi convertida em vila pelo Vice-Rei do Brasil, Dom Luís de Vasconcelos e Sousa. A vila foi elevada a cidade em 1857. Durante a monarquia, foi criado o baronato de Magé em 1810. Este foi elevado a viscondado em 1811.


A freguesia foi criada, com a denominação de Magé, por alvará, no dia 18 de janeiro de 1696; e também pelos decretos estaduais 1, de 8 de maio de 1892, e 1A, de 6 de março de 1892.


Estação de Magé antes das reformas - Foto: Reprodução da internet

Elevado à categoria de vila com a denominação de Magé, por força do ato de 9 de junho de 1789, o seu território foi constituído com terras desmembradas do município de Santana de Macacu e da cidade do Rio de Janeiro, inclusive ilhas do pequeno arquipélago de Paquetá.

Era constituído de cinco distritos: Magé, Guapimirim, Suruí, Inhomirim e Guia de Pacobaíba. Instalado em 12 de junho de 1789. Elevado à condição de cidade com a denominação de Magé, por efeito da Lei ou Decreto Provincial 965, de 2 de outubro de 1857.


Linha 204 LS Rio das Ostras Teresópolis (via Magé) - Foto: Marlon Peixoto

A estação de Magé da Leopoldina foi inaugurada em 1926, quando foi aberta a linha da Leopoldina ligando Rosário (Saracuruna) a Porto das Caixas, na linha do Cantagalo. Isto permitiu que a linha férrea seguisse do Rio de Janeiro para Campos, o que não acontecia antes.




Até então, para se ir a Campos de trem, quem era do Rio de Janeiro tinha de tomar a barca, cruzar a Baía da Guanabara e, em Niterói, embarcar na linha do Litoral ali. Em Magé há duas estações, uma em cada linha: a da ex-E.F.Teresopolis e a da linha da Leopoldina, esta inaugurada em 1926.


Pátio e estação da Leopoldina, de Magé, por volta de 1957. A fábrica que aparece na foto é a fábrica de doces Colombo, que absorvia parte das bananas dos bananais da região nessa época.
Fotografia: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, volume VI, 1958

A estação que funciona atualmente ocupa um prédio de linhas mais modernas, construído em concreto e que atende aos trens metropolitanos da Supervia. Mas um dos velhos prédios, o da antiga EFT, ainda está de pé. O atual prédio moderno da estação de Magé foi construído no local da antiga estação da Leopoldina.

Em parte dessa ligação de 1926 (Saracuruna-Visconde de Itaboraí), mais precisamente entre Saracuruna e Magé, trafegam os trens de subúrbio para Guapimirim, entrando em Magé pela antiga linha da E. F. Teresópolis.


Terminal Rodoviário de Magé - Foto: Marlon Peixoto




✅ Nova Marília | Magé

Os diversos projetos de saneamento e urbanização do entorno da Baía de Guanabara intensificou uma “eloquente venda de lotes residenciais. De forma associada a este tipo de urbanização, convém ressaltar o contexto da década de 1950, de melhoria do sistema rodoviário no Brasil, em detrimento das estradas de ferro, sobretudo em relação às linhas de carga, conjugado ao forte investimento na indústria automobilística.


Composição da Extensão de Guapimirim circulando entre as estações Magé e Jardim Nova Marília. A Ponte Seca marca o cruzamento rodoferroviário e a mudança de nomeclatura da Rua Pio X para Estrada Adam Blummer, responsável pela ligação de Magé com o distrito de Santo Aleixo.
No bojo de um discurso nacional desenvolvimentista, a construção de novas estradas de rodagem e a intensificação de fluxos migratórios ao sul do país se apresentavam como sinais de “modernização” do país. Nesse contexto, a atuação das imobiliárias também configurou como um importante elemento para compreendermos o avanço das áreas urbanas, levando à disputa pelo loteamento das terras que as margeavam.


Mapa do município de Magé, com indicações das fábricas têxteis (em amarelo), da Capela de Santo Aleixo (azul) e do traçado aproximado da Estrada Santo Aleixo-Piabetá (vermelho).
No município de Magé, particularmente, notabilizou-se os negócios realizados pela Imobiliária Durval de Menezes Ltda., cujo proprietário – que dava nome à empresa – era engenheiro civil, tendo trabalhado nas obras contra a seca no Nordeste e dirigido uma companhia de eletricidade em Corumbá/MS. Em 1927, ele mudou-se para o interior de São Paulo, onde foi encarregado de “traçar e abrir o Patrimônio de Marília”.



Criado o novo município, elegeu-se vereador e foi escolhido entre seus pares para ser o primeiro prefeito da cidade. Já na década de 1930, retornou ao Rio de Janeiro, onde inaugurou a imobiliária e passou a investir na formação de novos bairros.




Em Magé, adquiriu terras de antigas fazendas para formar os bairros Cachoeirinha (à margem da Estrada Santo Aleixo-Piabetá), Nova Marília (em homenagem à cidade paulista que administrou) e Piabetá (hoje o segundo maior núcleo urbano de Magé).


Parada Nova Marília às margens da Estrada Magé-Santo Aleixo - Foto: Reprodução da internet

A parada de Nova Marília foi aberta depois de 1960, em data ignorada. Ainda hoje é uma plataforma com cobertura que atende aos trens metropolitanos da CENTRAL, ao lado da rodovia.


⛔ Maringá | Magé

A comunidade Nova Maringá está localizada próximo ao viaduto de acesso à Santo Aleixo, na intersecção da BR-116 Rodovia Santos Dumont com a Estrada Adam Blummer (Estrada Magé-Santo Aleixo)


Plataforma da Parada Maringá - Foto: Diego Barbosa

A parada de Maríngá é uma plataforma de madeira sem cobertura. Funcionou pela última vez quando enquanti era operada pela CENTRAL Logística.




✅ Jororó | Magé


A estação de Jororó foi inaugurada em 1896 com o nome de Santo Aleixo, depois alterado para Augusto Vieira, fundador da E. F. Teresópolis (José Augusto Vieira), que, aliás, se tornou, com o nome inteiro, o nome da estação final da linha até 1957, antiga Varzea.



Plataforma da Parada Jororó (antiga Parada Santo Aleixo) - Foto: AGETRANSP

Embora o prédio da estação antigo ainda existisse até ser demolido em agosto de 2014, um pouco afastado da linha (era chamado de "Jororó-Agencia", os trens metropolitanos param hoje na parada de mesmo nome, uma plataforma com cobertura bastante precária.


Demolição da estação antiga, a "Jororó-agência", em 28/8/2014. Foto: Alecsandro Rosa


✅ Citrolândia | Magé

Citrolândia possui uma pequena parada, contudo foi a primeira do trecho a possuir duas plataformas. Como a via é singela, teoricamente uma plataforma deveria se destinar ao embarque e a outra ao desembarque, mas na prática os passageiros embarcam e desembarcam por onde quiserem.



Estação Citrolândia - Foto: Ana Paula Souza
Citrolândia é um bairro do município de Magé. Uma curiosidade é que quando Guapimirim se emancipou de Magé, em 1990, as zonas eleitorais de Citrolândia foram transferidas para Guapimirim, contudo Citrolândia ficou em Magé.



Por esta razão várias pessoas votavam em eleições municipais de Guapimirim morando em Magé. Fora isso, devido a Citrolândia cituar-se na divisa dos dois municípios, alguns moradores recebem contas de Guapimirim, outros de Magé.






✅ Parada Ideal | Guapimirim


A Vila Ideal surge a partir da décade de 1960, o empresário Antonio Gebara, antigo proprietário da Fazenda Santa Guilhermina promoveu o loteamento da área. A Fazenda se destacava na criação de gado e produção de leite, manteiga e derivados, suficientemente bem para o abastecimento da região. 


Trem chegando na plataforma da Parada Ideal - Foto: Isaac Cellox


✅ Jardim Guapimirim | Guapimirim

A região conhecida como Capim compreende a área entre Parada Modelo e Jardim Guapimirim. O nome "Parada Capim" era motivo de muita revolta por parte dos moradores.


Parada Jardim Guapimirim - Foto: Reprodução da internet

A estação passou a se chamar "Jardim Guapimirim" em 2011, logo quando a Supervia começou a operar o ramal, onde junto à pequenos reparos e algumas reformas, modificou as placas nas estações.




✅ Parada Modelo | Guapimirim


Parada Modelo é o bairro onde se inicia a Rodovia RJ-122 Rio-Friburgo. Logo na entrada da via há um pórtico suntuoso com iluminação característica.



Essa localidade passou por recente pavimentação que deixou ruas asfaltadas, modernos sistemas de esgoto, calçadas amplas, estacionamentos e semáforos com auxílio de guardas municipais.

A localidade surgiu na década de 1730, quando o Capitão Gaspar da Silva Borges contruiu em suafazendo no bairro Calundu (atualmente Bananal) uma capela dedicada à mãe de Nossa Senhora.




Sua abertura ao público em 1731 motivou o surgimento de um povoado em seu entorno chamado Porto Modelo (ponto de parada dos viajantes que subiam a serra). No final do século XVIII surgiu o povoado de Santana local de parada de tropas, de caravanas de viajantes e desbravadores que seguiam em direção a Minas Gerais.


Composição entre as paradas Modelo e Bananal - Foto: Reprodução da internet
Porto Modelo era onde todos paravam para dormir, beber água, comer e rezar na Capela de Santana do Bananal, hoje conhecida como Igreja de Santana.




✅ Bananal | Guapimirim


O bairro teve origem no Povoado Nossa Senhora da Ajuda, promovido a Freguesia quando desmembrou-se do território de “Santo Antonio de Sá” (atual Cachoeiras de Macacu) e foi anexado a Magé que tinha status de Vila.



Com a abolição da escravatura, houve considerável êxodo dos antigos escravos, ocasionando terrível crise econômica. Esse fato, aliado a insalubridade da região, fez com que desaparecessem as grandes plantações. 

Houve então a propagação da malária, que reduziu a população local e paralisou várias décadas o desenvolvimento econômico da região.



Mais tarde no Bananal, as tropas de mascotes por ali criaram na época a única rota para Minas Gerais, para se apoderar do ouro mineiro. Depois da utilização do novo caminho para Minas ,Bananal e outros lugares atingiram condições de riqueza e esplendor.







✅ Guapimirim

As origens de Guapimirim remontam ao curato de Nossa Senhora da Ajuda do Aguapeí-Mirim que foi estabelecido em 1674, subordinado a Magé.

Composição naestaçãoGuapimirim, ponta de linha do ramal - Foto: Reprodução da internet
Neste mesmo lugar foi criada a Freguesia de Nossa Senhora da Ajuda de Guapimirim em 15 de janeiro de 1755 (grafada também Guapymirim ou Guapemirim). Finalmente, em 21 de dezembro de 1990, foi estabelecido o município de Guapimirim, emancipado de Magé.





A estação de Guapimirim foi aberta em 1896 no primeiro trecho da E. F. Teresópolis. Teve diversos nomes, como Raiz da Serra, Guapi, Bananal, Alcindo Guanabara e Guararema. Até 1901 foi ponta de linha, e mesmo depois disso; nesse ano se iniciaram as obras para o trecho mais difícil, o da serra.


A região se desenvolveu por causa do trem; é sabido que nos anos 1950, a maior parte da população do local eram ferroviários da Central do Brasil e lavradores. Aliás, fato curioso: apesar de sair da estação de Barão de Mauá e transitar pela linha da Leopoldina até Magé, onde saía para Guapimirim, a linha era manejada pela Central desde 1919.

Junto à estação de Guapimirim, foram montados uma oficina para reparo de máquinas e um pátio ferroviário com quatro linhas. - Foto: Reprodução da internet

Com a supressão do trecho entre Guapimirim e Teresópolis em 1957, a estação voltou a ser ponta de linha, o que permanece até hoje. Trens da Flumitrens, recentemente batizada de Central (!) chegam até a estação, num transporte precário e com péssimas acomodações. Mas chega, o que é uma raridade no Brasil ferroviário atual. Desde 1990, Guapimirim, então um distrito de Magé, passou a ser município.

Pórtico de entrada de Guapimirim - Avenida Dedo de Deus - Foto: Reprodução da internet





Histórico da Estrada de Ferro de Teresópolis

A ideia para a criação dessa estrada remonta a 1872, sendo a primeira concessão de 1880, mas diversas iniciativas foram malsucedidas até junho de 1890, quando a Companhia Estrada de Ferro Therezópolis obtece decreto autorizando sua abertura. As obras se arrastaram, contudo, e deve-se ao empreiteiro José Augusto Vieira o mérito de levar adiante a contrução da ferrovia, a partir de uma nova concessão, obtida em julho de 1894.

A estação de Raiz da Serra, sem data. Foto do livro de Carlos Cornejo e Eduardo Gerodetti, Lembranças do Brasil - As Ferrovias nos Cartões Postais e Álbuns de Lembranças

O projeto original previa a contrução de uma ferrovia entre Niterói e a localidade de Porto Marinho, no Rio Paraíba, passando por Teresópolis. No entanto, o alto custo projetado da obra, pensada para galgar a Serra dos Órgãos, em simples aderência, en trajeto de 134 quilômetros, fez os incorporadores mudarem seus planos, optando por uma linha entre o Porto da Piedade, na Baía de Guanabara, e o planalto de Teresópolis.

Trem de passageiros da Estrada de Ferro Teresópolis atravessando o viaduto sobre o Rio Paquequer por volta de 1910. Foto: Reprodução da internet

Além de autorizar a construção da estrada, o decreto autorizavaa companhia a comprar todos os terrenos no vale do Paquequer e a criar uma cidade no Alto da Serra. Teresópolis foi mapeada, levantada e desenvolvida pela mesma empresa que criou a ferrovia mas, pensada para ser a futura capital do estado, ficou às moscas até que a estrada de ferro começou a subir a serra.

Estação de Guapi, antiga  Raiz da Serra e atual Guapimirim, que antecedia a subida da serra. Ornada para receber a visita do Rei Alberto I da Bélgica, em 1920. Foto: Cartão-postal editado em Bruxelas

Em 1º de novembro de 1896, foi inaugurado o trecho inicial, em região plana, com uma extensão de 21 quilômetros. O ponto de partida era o Porto da Piedade, no fundo da Baía de Guanabara, onde se chegava a partir do Cais Pharoux, na cidade do Rio, a bordo dos vapores Therezopolis e Presidente, pertencentes à mesma companhia.





Da estação de Magé, no quilômetro 5, saía um ramal com um quilômetro de extensão que, após atravessar a cidade, prosseguia com destimo ao pátio da pioneira fábrica Mageense de Tecidos. As estações seguintes eram a de Santo Aleixo, no quilôimetro 11, e Raiz da Serra, atual Guapimirim, no quilômetro 21, onde foram montados uma oficina de reparo de máquinas e um pátio ferroviário com 4 linhas.

Da Raiz da Serra em diante, cuja inclinação de subida variava de 4,5 e 15 por cento, começou em 1902, a construção de um trecho de cremalheira ou trilho central dentado, do tipo Riggenbach, com 9,3 quilômetros de extensão, no mesmo sistema utilizado pela Estrada de Ferro Príncipe do Grão Pará para vencer a Serra de Petrópolis e pela Estrada de Ferro do Corcovado, no Rio de Janeiro.

O Viaduto do Garrafão, da Estrada de Ferro Teresópolis foi construído em aço belga das usinas Braine-le-Comte, sobre bases de alvenaria de pedra, com dois vãos de vinte metros e dois vãos de dez metros cada. Foto: Cartão postal editado por volta de 1915.

A medida que as obras avançavam, a ponta da linha situou-se em várias estações provisórias, no meio da serra, como a de Barreira, inaugurada em 1904, Miudinho, em 1905, e Soberbo, em 1908, onde as obras estacionaram no aguardo da chegada da estrutura do Viaduto do Garafão, encomendada na Europa. Na subida da serra foi necessára a construçãod e um viaduto de aço, com dois vãos de vinte metros e dois de dez metros, e de duas pontes metálicas com treze metros de comprimento cada.

A Serra dos Órgãos, uma das mais belas formações rochosas do mundo, eo famoso pico Dedo de Deud, com 1.692 metros de altitude, passagem típica da região serrana de Teresópolis num cartão postal editado por volta de 1915.

Do alto da serra de Teresópolis, foi construído um trecho de 2.600 metros, solenemente inaugurado em 19 de setembro de 1908. A partir da Estação do Alto, a linha foi prolongada até a Várzea, servida em 1921 pela estação provisória de Fazendinha.



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Em 1929, foi inaugurada a Estação da Várzea de Teresópolis, ponto terminal da ferrovia, a qual, na década de 1940, passo a se chamar José Augusto Vieira, em hopmenagem ao construtor da linha.

Carruagens e cavalos aguardam a chegada dos passageiros trazidos pelo trem na Estação de Alto Teresópolis, inaugurada em 18 desetembro de 1908, no alto da serra. Desativada junto com a ferrovia, em 1957, essa estação foi logo depois demolida. Foto: Reprodução da internet

A ferrovia foi incorporada à Estrada de Ferro Central do Brasil em 1931. Sua debacle teve início da década de 1950, quando o trecho entre o Porto da Piedade a Magé foi erradicado. Em 1957, foi transferida para a Estrada de Ferro Leopoldina.

Em 9 de março daquele ano, desceu pela serra o último trem de passageiros e no dia 9 de maio daquele mesmo ano, sob a alegação de ser deficitária, a ferrovia foi extinta entre as estações de Guapimirim e José Augusto Vieira, e seus trilhos, arrancados em novembro de 1959.

Uma U13B estacionada no pátio da estação com a pintura da Central, provavelmente serve de gabarito e doadora de peças para as que estão em atividade. - Foto: Hugo R. Marins

Seguiram funcionando os trens de subúrbio entre Magé e Guapimirim, operados primeiro pela Leopoldina, onde os trans passaram a sair da estação Barão de Mauá e seguiam pela linha da Leopoldina até Magé, daí entrando na linha original.

Bilhete de passagem do Ramal de Guapimirim - Central Logistica - Foto: Reprodução da internet

Depois a ferrovia foi operada pela Rede Ferroviária Federal S.A., maos tarde pela Central Logística (ex Flumitrens), até chegar na administração atual com a Supervia, que opera o trecho Saracuruna (ex Rosário) até a estação Guapimirim.

Trem da Extensão de Guapimirim passando pelo Jardim Guapimirim / Capim rumo a Saracuruna
Locomotiva GE U12C #2362 nas cores da Central Logística - Captura: Eduardo Marques





Operação por ônibus à serviço da Supervia

Ao realizar manutenções pontuais e/ou programadas, a concessionária disponibilizava o serviço por ônibus para atender aos seus usuários.


O tráfego era realizado pela BR-116, com isso, no sentido Saracuruna-Guapimirim, os ônibus realizavam parada em todas as estações. Já no sentido Guapimirim-Saracuruna, os ônibus passavam apenas pelas estações Guapimirim, Parada Bananal, Parada Modelo, Jd. Nova Marília, Magé, Iriri, Suruí, Parque Estrela e Saracuruna.


Por tratar-se de percurso rodoviário, os trajetos foram definidos com base no menor impacto possível no tempo de deslocamento.




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