Rotas Fluminenses: RJ-107 Estrada Velha

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O desafio de se encarar a serra que “escondia” a cidade de Petrópolis começou em 1841 quando o Major e engenheiro alemão Júlio Frederico Koeler recebeu a designação do Imperador Pedro II para se construir uma nova ligação entre o Porto da Estrela, na cidade de Magé, e a cidade imperial.




Caminho Imperial da Serra de Estrela

Ela seria a principal ligação entre o Rio e as Minas Gerais, com uma grande importância econômica. Assim nascia a Estrada Real da Estrela, que ainda pode ser percorrida e se divide em três partes.





  • 1° trecho: Avenida Coronel Sisson:
Início: BR-116 Km 138,2 Imbariê - Duque de Caxias
Término: Trevo da Avenida Automóvel Clube em Parada Angélica


  • 2º trecho: Avenida Automóvel Clube
Início: Trevo da Avenida Coronel Sisson em Parada Angélica - Duque de Caxias
Término: Início da subida da Serra em Vila Inhomirim (Raiz da Serra) - Duque de Caxias


  • 3º trecho: Estrada Velha da Estrela
 Início da subida da Serra em Vila Inhomirim - Duque de Caxias
Término: Esquina entre as ruas Teresa e Visconde de Bom Retiro no Alto da Serra - Petrópolis





Avenida Coronel Sisson

Com a sigla RJ-107, o primeiro trecho tem início na BR-116 em Imbariê em Duque de Caxias. Denominada Avenida Coronel Sisson, margeia o ramal Vila Inhomirim cortando os bairros de Imbariê, Santa Lúcia e Parada Angélica, onde se inicia o segundo trecho.




Avenida Automóvel Clube


A segunda parte se inicia no município de Magé, adentrando no bairro Parque Caçula e se encerra em Raiz da Serra, passando pelos bairros de Piabetá, Parque Sayonara e Fragoso.

No bairro Parque Caçula, há o marco indicativo da estrada indicando para o motorista que faltam 21 quilômetros para se chegar a Petrópolis.



Mas para que vai para a capital fluminense, faltam 58 quilômetros a serem vencidos. O marco é uma iniciativa de 1922 do Automóvel Club do Brasil e que se tornou realidade em 1926.



A partir de Parada Angélica, são 5,5km até encontrar a Estação de Vila Inhomirim, onde se inicia o terceiro trecho, já de subida da serra.


Estrada Velha de Estrela - Foto: Reprodução da internet

Estrada Velha da Estrela


Em Raiz da Serra, a Avenida se torna Estrada, sendo o terceiro trecho da RJ-107. Estrada Velha da Estrela, onde o motorista passa a subir em um trajeto de serra com muitas curvas, paralelepípedo e ausência de sinalização até o bairro Alto da Serra passando pelo Meio da Serra, um bairro dividido entre Magé e Petrópolis.




A partir da localidade de Raiz da Serra, em Magé, a estrada passa a ser de paralelepípedos, com falta de manutenção e sinalização, e muito sinuosa. A estrada é tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC).


A Estrada de Ferro Mauá

A Estrada de Ferro Mauá, foi a primeira ferrovia a ser estabelecida no Brasil. Foi inaugurada em 30 de abril de 1854 em seu trecho inicial, ligando o Porto de Mauá a Fragoso, no Rio de Janeiro, num trecho de 14,5 km. Foi construída pelo empreendedor brasileiro Irineu Evangelista de Sousa, o visconde de Mauá.


Estação Guia de Pacobaíba

O trecho ferroviário seguia da estação de Guia de Pacobaíba, no atual município de Magé, até Fragoso, localidade de Inhomirim. A extensão até Raiz da Serra (Vila Inhomirim) se deu em 1856, onde se iniciaria a subida por cremalheira para Petrópolis, e Areal, somente 30 anos mais tarde.



A estação de Areal foi unida à de Três Rios em 1900, já pela Leopoldina. Finalmente, o trecho entre o a estação de São Francisco Xavier, na E.f. Central do Brasil, e Piabetá foi entregue entre 1886 e 1888 pela chamada E. F. Norte, que neste último ano foi comprada pela R. J. Northern Railway. 


Estação Barão de Mauá - Foto: Reprodução da internet

Em 1890 a linha toda passou para o controle da Leopoldina. Em 1926 a linha foi estendida finalmente até a estação de Barão de Mauá, aberta nesse ano, eliminando-se a baldeação em São Francisco Xavier. O trecho entre Vila Inhomirim e Três Rios foi suprimido em 5 de novembro de 1964. Segue operando para trens metropolitanos todo o trecho entre o centro do Rio de Janeiro e Vila Inhomirim.



Por volta da década de 60 o tráfego entre Pacobaíba e Piabetá foi suprimido. Entretanto, ainda resta um pequeno trecho da primeira ferrovia do Brasil com tráfego de trens (trens de subúrbio operados pela Supervia, em uma extensão de sua linha que termina em Saracuruna) entre Piabetá e Vila Inhomirim.


Os trens que seguiam para Petrópolis, Três Rios e Caratinga utilizavam-se da mesma linha. A maioria dos trens seguiam somente para Petrópolis, voltando dali para o Rio. Todos esses trens não paravam nas estações da baixada, com exceção da inicial, da de Duque de Caxias e da de Vila Inhomirim. Às vezes, Piabetá e uma ou outra mais. As outras estações somente eram atendidas pelos trens de subúrbios.





Pátio da Estação Alto da Serra - Foto: Reprodução da internet

No trecho da serra (cerca de 6 km), o trem era puxado por uma locomotiva especial com cremalheira. O engate dessa locomotiva dava-se na estação de Vila Inhomirim e o desengate na de Alto da Serra (na volta para o Rio, o contrário).


A época de sua inauguração, para se chegar a Petrópolis por esta era preciso pegar um barco até o Porto de Mauá, depois percorrer uma estrada em más condições até Raiz da Serra e deste ponto, mais 14 km até Petrópolis.




Porto de Estrela - Guia de Pacobaíba
No meio do caminho, a Mata Atlântica se faz presente em meio as curvas sinuosas. Se inicialmente era a ligação fluvial que marcava presença para se ir a Petrópolis, a ligação ferroviária trouxe uma diminuição no tempo de percurso e melhoramentos.


Estrada de Ferro Mauá x Estrada Velha de Estrela - Foto: Reprodução da internet
Deste tempo, restaram as lembranças e a locomotiva que subia a serra e que está exposta no Museu Imperial.
Em Vila Inhomirim, saíam trens para Petrópolis e seguiam também para Entre Rios (Hoje o município de Três Rios). Havia trens saindo da Estação Barão de Mauá e que seguiam pela Linha do Norte (hoje o Ramal Saracuruna).




Estação Vila Inhomirim - Foto: Reprodução da internet

Transporte por ônibus na travessia da Serra da Estrela



Com o tempo, foram criadas as linhas de ônibus urbanos, ligando bairros de Duque de Caxias e Magé a Petrópolis.



A Auto Viação Estrela foi a primeira operadora. devido à existência do Registro DETRO-RJ 106, presume-se que a Luxor a comprou no fim dos anos 70 ou na década de 80. Sua garagem situava-se no Meio da Serra, próximo à Fábrica Cometa.





A Luxor Transportes e Turismo foi uma grande empresa que operava em diversas regiões da Baixada, foi a mais duradoura e lembrada operadora deste setor, encerrando suas atividades com o mesmo. Durante um período de crises administrativas, chegou a repassá-lo para sua coligada Anatur, retomadas com o fim desta.






O Grupo Luxor já contou com seis empresas:

Luxor Transportes e Turismo;
Anatur Turismo;
Viação Primavera (do município de Magé);
Expresso Miramar (do município de Niterói);
Riviera Transportes e Turismo (ligava as cidades do Rio de Janeiro ao sul do Estado de Minas Gerais);
Rápido Paugrandense (do município de Magé);



A Viação Luxor foi fundada em 1963, a empresa era responsável pela operação de  linhas intermunicipais entre Magé, Guapimirim, Duque de Caxias e Rio de Janeiro.

A Luxor foi emcampada pelo governo do estado em 1983. Um artifício jurídico impediu que três empresas do grupo fossem repassadas para administração do Estado: Anatur Turismo, Riviera Transportes e Rápido Paugrandense. Com isso, a empresa Luxor conseguiu desfazer das três empresas.





A Anatur foi fundada em 1968, pelos mecanicos sergipanos Ivo Sobral Lima e José Lima Filho, iniciando a operação com apenas um carro, recauchutado em ferro-velho. O nome da empresa foi em homenagem à mãe dos irmãos. Em novembro de 1982, 90% das ações das empresas haviam sido vendidas para a Viação Luxor, mas em 1985 as ações passaram para o controle de Délio Sampaio Filho, Danilo Barbosa Lima Sampaio, Maximiniano Nagibe e Sebastião Beneti Reis de Oliveira (ambos sócios da Luxor).





A Luxor exercia um controle de 50% das ações da Riviera Transportes e Turismo e a Rápido Paugrandense, posteriormente passaram para o controle dos sócios livrando as duas empresas da intervenção do Estado.

Fundada em 1966 para transportar trabalhadores de uma fábrica de tecidos em Pau Grande, a Viação Rápido Pau Grandense sediada na Rua Cuzeiro, 1 em Magé, cresceu até chegar a ter 44 veículos e 16 linhas.


Rápido Paugrandense - Foto: Reprodução da internet

A empresa cresceu e passou a atender a toda a população da região e não só aos trabalhadores da Cia. América Fabril, industria têxtil.
Anos depois, a viação foi vendida para a Transportes Primavera, que funcionou até 2004, quando seus ônibus circularam pela última vez.






Mesmo após a crise, a Luxor manteve a operação no setor Petrópolis, foi quando adquiriu e chegaram a adquirir os modelos Volare e Fratello da encarroçadora Marcopolo, os famosos dos Luxinhos.



Com o fim da Luxor, as linhas da Serra da Estrela são operadas muito rapidamente pela Reginas, que as revende para a Machado. Como curiosidade, vale destacar que ela operava os itinerários com os ônibus dela e alguns outros com as cores e a numeração da Luxor.



No fim de 2005, a Transturismo Rei Ltda. (Trel), que já havia recomprado muitas linhas da Luxor, arrematou o setor serrano.


Machado Transportes em Petrópolis operando a linha 412N Petrópolis x Saracuruna

A Serra Velha de Petrópolis, ou Serra da Estrela, é parte importante da história do Rio. Integrante do Caminho Real - ligação entre o Rio e Ouro Preto -, ela foi palco da construção da primeira ferrovia do Brasil, em seu sopé: um trecho de 14 km, dali até a Guia de Pacobaíba, na região da Baía.

Mas o tempo passou e o abandono do caminho que cortava a Baixada Fluminense para se chegar a Cidade Imperial recebia críticas de todas as partes. Enquanto isso, o automóvel foi deixando de ser apenas um veículo para o lazer.



Foi aí que em 1927, o governo federal começou a se mexer na área das estradas de rodagem. Em março de 1927, operários e engenheiros se esforçaram para iniciar um marco da engenharia nacional: A construção de uma nova estrada ligando Petrópolis ao Rio de Janeiro.


A União Transporte Interestadual de Luxo (UTIL) foi pioneira na ligação Rio-Petrópolis. A empresa que surgiu em Petrópolis em 1936 – inaugurou a linha em abril de 1937. Em 23 de dezembro de 1938, a trajetória da Transportes Única Petrópolis se inicia com a inauguração da Unica Auto Ônibus S/A.

O uso atual da Estrada Velha

A RJ-107 é servida atualmente pelas empresas Viação União, TREL, Transportes Machado, Auto Ônibus Vera Cruz, Expresso Rio de Janeiro e Transporte Petro Ita e Turismo Iluminada, as duas últimas com linhas municipais em Petrópolis e Magé respectivamente.



A Auto Ônibus Vera Cruz opera linhas municipais em Duque de Caxias e intermunicipais que ligam o município de Duque de Caxias ao bairros de Piabetá e Raiz da Serra em Magé.



Como rota de deslocamento, atua principalmente na RJ-101 Avenida Governador Leonel de Moura Brizola (antiga Avenida Presidente Kennedy) e na BR-116 Rodovia Santos Dumont, atendendo aos bairros do Lote XV, Cidade dos Meninos, Pilar, Imbariê, Barro Branco, Taquara e Parada Angélica.



A Viação União opera linhas intermunicipais entre os municípios de Duque de Caxias, Belford Roxo, Magé e Rio de Janeiro e municipais em Duque de Caxias.




A empresa que operava apenas no Centro de Duque de Caxias e no distrito de Xerém aumentou a sua área de operação em 2005, ao adquirir da Luxor Transportes e Turismo, as linhas que ligam o Centro da Cidade do Rio de Janeiro aos bairros do 2° distrito de Duque de Caxias e 6° distrito de Magé, entre eles: Piabetá, Raiz da Serra, Fragoso, Jardim Primavera, Campos Eliseos, Ana Clara, Saracuruna, Ipiranga e Parque Chuno.



A Turismo Machado foi fundada em meados do anos 80, surgindo de uma parte da Auto ônibus Vera Cruz e operava com o prefixo RJ 104.



Em 12 de dezembro de 1991, a Transporte e Turismo Machado passou a operar com o prefixo RJ 162 as linhas municipais em Duque de Caxias, e linhas intermunicipais ligando os bairros do município de Duque de Caxias aos bairros de Magé.

Suas linhas ligam o Centro de Duque de Caxias e a Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro à barros do 3° distrito de Duque de Caxias e ao 6° distrito de Magé, entre eles Bongaba, Nova Campinas, Morabi, Piabetá e Imbariê.



A empresa chegou a operar linhas ligando a região à cidade de Petrópolis, oriundas da Luxor Transportes e Turismo, porém por não possuir estrutura para mantê-las, repassou para a TREL Transturismo Rei Ltda, que as opera atualmente.





Sua rota de deslocamento, dá-se principalmente através da BR-040 Rodovia Washington Luís e a BR-116 Rodovia Santos Dumont, atendendo aos bairros do Jardim 25 de Agosto, Imbariê, Bongaba, Suruí, Maracanã, Parada Angélica e Piabetá.


A Transturismo Rei Ltda opera linhas municipais em Duque de Caxias e Magé, além de linhas intermunicipais que atendem a esses dois municípios e aos municípios de Belford Roxo, Petrópolis e a cidade do Rio de Janeiro.



Em 2006 assumiu as linhas do 4° distrito de Duque de Caxias oriundas da Luxor Transportes e Turismo. Posteriormente, novas linhas dos lotes da Luxor são incorporadas à operação da TREL, linhas que partem do 3° distrito de Duque de Caxias e de bairros mageenses em direção à Petrópolis, que haviam sido assumidas pela Turismo Machado.





Em Dezembro de 2011, a TREL assumiu as linhas municipais de Magé, no lugar da Alfa Rodobus. Atualmente as linhas pertencem à Transporte e Turismo Iluminada, empresa que forma o conglomerado de empresas com a Transturismo Rei e com a Divina Luz Transporte e Turismo.


A empresa atua principalmente na ligação do Centro do Rio e de Duque de Caxias à Xerém, Santa Cruz da Serra, Nova Campinas, Raiz da Serra, Taquara e Petrópolis.



A Transporte e Turismo Iluminada surgiu em 6 de janeiro de 2012, assumindo o setor municipal em Magé. Suas linhas são operadas em pool com a Transturismo Rei, a qual pertence ao grupo.



Fundada em 12 de julho de 1979, a Expresso Rio de Janeiro surgiu a partir da absorção da COGEL - Coletivos Magé Ltda pelo Grupo Rio Ita.
Sua principal rota de deslocamento compreende à Rodovia do Contorno da Guanabara, hoje denominada BR-493 Rodovia Raphael de Almeida Magalhães.



Suas linhas atendem aos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Guapimirim, Magé, Duque de Caxias, São João de Meriti, e Nova Iguaçu.



Sua principal atuação está no eixo Niterói-Magé, onde atende às localidades de Alcântara, Aldeia de Prata, Vale das Pedrinhas e Andorinhas.

Com a aquisição das linhas da Transturismo Rio Minho, passou a atender à Imbariê, Piabetá, Jardim 25 de Agosto, Parque Lafaiete e Vila Nova, cortando também os municípios de Belford Roxo e Mesquita, ao trafegar pela BR-116 Rodovia Presidente Dutra.



Na travessia da serra, as linhas que partem dos bairros mageenses e duque-caxiense são operadas pela Transturismo Rei (TREL).



A partir do Meio da Serra, já em território petropolitano, a empresa Petro Ita Transportes Coletivos opera linhas municipais no distrito de Quitandinha, atendendo aos bairros do Meio e Alto da Serra, Independência, Duques, São Sebastião, Coronel Veiga, Morim, Chácara Flora, Castelânea, Saldanha Marinho e Caxambu.





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Um comentário:

  1. Viajando nesse site. Andei em muitos desses ônibus. O Estrela, certamente nos anos 80. Então, a viação existia até essa época. Eu morava no Pantanal e meus parentes paternos em Petrópolis. O único jeito de ir sozinho para lá era pegando os ônibus da Estrela. A Unica/Facil tinha uma linha da rodoviária de Caxias. Mas como era ônibus não urbano, menor desacompanhado só poderia viajar com permissão escrita dos pais. Então, eu pegava o trem em Gramacho, ia até Imbariê e, de lá, subia no Estrela para Petrópolis. Ainda saia mais barato que o Unica/Facil.

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