Sem roletas, calote no VLT fica abaixo do esperado

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Um ano após início da cobrança, 13% não pagam passagem. Índice gera economia para a prefeitura, que, mesmo assim, gasta R$ 5 milhões por mês com o transporte



O sistema de transporte sem catracas, em que os usuários têm de espontaneamente pagar a passagem, comum em países da Europa, começou no Rio totalmente desacreditado. Um ano depois do início da cobrança de tarifa, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), para surpresa de muitos, no entanto, comemora o comportamento do carioca. Apenas 13% dos usuários não passam o cartão nos validadores disponíveis nas composições.


"Quando começou a operação do VLT, a gente escutou muito que ninguém ia pagar a passagem e que haveria muitos atropelamentos. Agora, um ano depois, a gente vê que as pessoas pagam e que não houve acidente algum com pedestres”, afirma o diretor de Operações da concessionária VLT Carioca, Paulo Ferreira.

A taxa de evasão (o percentual de passageiros que não pagam) é estimada, segundo Ferreira, pelo cruzamento de dados das câmeras do veículo — que fazem a contagem das pessoas que passam pela porta — com os dos validadores, que efetivamente mostram o número de pagantes.


Os 13% de calotes estimados no Rio estão em linha com sistemas de VLT dos países mais desenvolvidos, que chegam a, no máximo, 15%. O diretor da concessionária lembra ainda que nesta taxa estão incluídos passageiros que têm direito à gratuidade mas não utilizam os cartões. Por exemplo, pessoas que têm mais de 65 anos, mas não possuem o ‘cartão do idoso’.

A ‘honestidade’ do carioca não foi ‘conquistada’ de forma tão espontânea assim. Em quase todas os veículos, há um fiscal da empresa, acompanhado de guardas municipais, que aplicam multa em quem for flagrado sem pagar (R$ 170,00, na primeira vez, e R$ 255, se for reincidente). Mas não são todos os usuários que são checados, já que cada composição tem capacidade para mais de 400 pessoas. Segundo Ferreira, cerca de 30% dos passageiros passam por alguma verificação dos fiscais.


O baixo percentual de calotes reverte em economia para os cofres públicos, já que pelo contrato da Parceria-Público Privada do VLT, a Prefeitura teria de pagar ao concessionário se a taxa de evasão for superior a 25%. Atualmente, a prefeitura paga somente a parte fixa do contrato à concessionária, que está em torno de R$ 5 milhões por mês. “Esta é a parte referente aos investimentos da concessionária na construção”, afirma Luciano Teixeira Cordeiro, subsecretário de Projetos Estratégicos da prefeitura.


“A taxa de evasão foi menor do que a gente imaginava mesmo. A atuação dos guardas é educativa e a sociedade entendeu bem a importância de pagar a tarifa”, afirmou Teixeira Cordeiro.

VLT chega à Central em outubro


Projetado para transportar até 260 mil passageiros por dia, quando o sistema estiver completo, o VLT ainda leva de 35 a 40 mil pessoas diariamente. Na última terça, após a redução dos intervalos dos veículos para 7 minutos, na Linha 1 (Santos Dumont - Rodoviária) e 8 minutos, na Linha 2 (Saara-Praça 15), a concessionária bateu o recorde de 41,5 mil passageiros.


Em outubro, a Linha 2 deve estar concluída, ligando a Rodoviária à Praça-15, passando pela Central, e deve receber mais passageiros. “Na Central, tem possibilidade de integração com os trens e o metrô. Esperamos, após alguns meses do início deste trecho, ter acréscimo de 40% a 50% na demanda”, avalia Paulo Ferreira, do VLT Carioca.

Atualmente, as integrações com ônibus representam 20% da demanda.
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